Pedra da Mina, um pouco da história…

Primeira subida

A primeira subida documentada da Pedra da Mina ocorreu em 1955, por um grupo de oito pessoas formado por iniciativa de quatro imigrantes alemães (Henning Bobrik, Gunther Engels, Felix Bernhard Hacker e Theodor Reimar Hacker). Eles haviam sido montanhistas alpinos em seu país natal, mantiveram o hobby quando vieram para o Brasil e decidiram explorar a então relativamente desconhecida Serra Fina, que eles haviam avistado ao explorarem anteriormente o maciço do Itatiaia, que é próximo. Foram acompanhados pelo fazendeiro José Dias, de Passa Quatro, e três dos seus empregados (José Vidal, Geraldo Américo e Sebastião Pedro). O grupo decidiu abordar a serra a partir do lado mineiro, muito menos íngreme, e depois de quatro dias difíceis, com muito frio, chuva e neblina, os oito homens chegaram ao topo da Pedra da Mina, que eles identificaram corretamente como sendo o ponto mais alto da Serra Fina, em 8 de julho de 1955. Com um barômetro, eles mediram uma altitude de 2718 m. A descida durou mais três dias.

Mais tarde, o relativo isolamento da serra Fina, que é desabitada, não é atravessada por nenhum passo ou estrada, tem relevo íngreme e é cercada de vegetação densa, manteve a área pouco conhecida, mal mapeada e raramente explorada até o final do século XX, a não ser por esporádicas expedições dos membros do (naquela época) pequeno Clube Alpino Paulista a partir da década de 1970. Os mapas antigos da região mostravam valores altamente discrepantes para a altitude da Pedra da Mina, desde 2437 m em algumas cartas aeronáuticas até 2770 m na carta topográfica oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a área, editada em 1974. Com efeito, em janeiro de 2000 um pequeno avião chocou-se com a montanha vizinha à Pedra da Mina, possivelmente devido a cartas aeronáuticas incorretas, matando seus quatro ocupantes. Os destroços ainda podem ser vistos na montanha, que por esta razão é hoje conhecida como Morro do Avião.

Novas medições

Sem uma medição precisa das montanhas da serra Fina, até 1999 pensava-se que o ponto mais alto da serra da Mantiqueira era o conhecido pico das Agulhas Negras, com sua forma característica, no vizinho Maciço do Itatiaia, então com uma altitude oficial de 2787 m. Naquele ano, o hoje geógrafo Lorenzo Giuliano Bagini, na época ainda estudante de graduação da Universidade de São Paulo (USP), que também era montanhista e conhecia a região, suspeitou que a Pedra da Mina fosse mais alta do que se pensava, e mediu sua altitude por GPS, obtendo 2796 m. Isso tornaria a Pedra da Mina alguns metros mais alta que o pico das Agulhas Negras. Bagini notificou a universidade, que no ano seguinte acabou enviando uma expedição oficial à montanha, levando um equipamento de GPS profissional de altíssima precisão, e encontrou uma altitude um metro ainda mais alta que a anteriormente medida por Bagini.

Projeto Pontos Culminantes (2004)

No entanto, de acordo com as leis federais brasileiras, nenhum dado geográfico pode ser oficialmente aceito no país se não for publicado pelo IBGE. Embora a expedição da USP tivesse total credibilidade e não se duvidasse da precisão da sua medida, o IBGE está legalmente impedido de aceitar ou reconhecer quaisquer dados geográficos que não os seus próprios. Além disto, o IBGE usa parâmetros de georreferenciamento diferentes dos da USP. Esta foi uma das motivações para o IBGE lançar o Projeto Pontos Culminantes do Brasil, em associação com o Instituto Militar de Engenharia (IME), com o objetivo de medir com precisão a altitude das montanhas mais altas do país, utilizando a mais moderna tecnologia de GPS.

Assim, como partes do projeto, tanto a Pedra da Mina quanto o pico das Agulhas Negras (além de diversas outras montanhas) foram escalados em 2004 e suas altitudes medidas. A expedição conjunta mais uma vez confirmou que a Pedra da Mina de fato era alguns metros mais alta que o até então ponto culminante oficial da Mantiqueira, com 2798,39 m, contra 2791,55 m do pico das Agulhas Negras – uma diferença de 6,84 m. O IBGE logo revisou seus dados publicados para que estes refletissem a nova altitude oficial da montanha e sua posição no ranking das montanhas brasileiras.

Correção da altitude em função do geoide (2016)

Em 2015, o IBGE completou um novo mapeamento mais preciso do território brasileiro quanto ao geoide, a superfície imaginária e irregular, baseada no campo gravitacional da Terra, que serve de referência para medições de altitude. Isto levou o Instituto a recalcular a altitude das montanhas medidas no projeto anterior em função da nova referência. Os novos dados foram publicados em fevereiro de 2016. A altitude da Pedra da Mina foi corrigida para 2798,06 m – uma diferença de 33 cm a menos. Ao mesmo tempo, o pico das Agulhas Negras passou a ter oficialmente 2790,94 m, ou 61 cm menos. Assim, a Pedra da Mina aumentou ligeiramente a vantagem sobre seu vizinho e rival, para 7,12 m.

Atualmente o Lorenzo, está trabalhando em um projeto para a criação de um livro que conta toda essa história detalhadamente.

“O livro propõe um resgate da história do lugar, com os registros das primeiras expedições e dos personagens nelas envolvidos, assim como os primeiros levantamentos cartográficos e pesquisas científicas. Existe ainda muito pouca documentação sobre a Serra Fina e não há nenhum livro específico sobre o maciço. Por isso este projeto tem um papel fundamental no registro da história e do patrimônio natural e paisagístico do maciço, visando tornar-se uma referência no debate sobre o futuro da Serra Fina.”

 Para conhecer mais sobre o projeto e o livro basta entrar no site www.portalserrafina.com.br

Acesso

Trilhas do Paiolinho, Toca do Lobo e Garganta do Registro

A montanha é quase sempre alcançada a partir do norte (ou seja, de Minas Gerais), de onde a rota mais curta é através de uma árdua trilha até o topo (com algumas partes mais íngremes de “escalaminhada”), acampando-se no cume ou próximo a ele e retornando-se no dia seguinte. Essa trilha é bem marcada e começa numa fazenda junto ao povoado de Paiolinho, no município de Passa Quatro, a 1566 m de altitude; o ponto inicial da trilha é acessível por veículos comuns de passeio através de uma estrada de terra.

Como alternativa, a Pedra da Mina também pode ser atingida como parte de uma caminhada mais longa (de alguns dias) ao longo da crista da serra Fina, alcançada por uma trilha mais a oeste que começa num local chamado “Toca do Lobo”, ao lado de uma fazenda também próxima de Passa Quatro. Essa caminhada termina no município mineiro de Itamonte, na rodovia BR-354, que percorre o passo de montanha denominado Garganta do Registro, que separa a serra Fina do maciço de Itatiaia. A travessia completa da serra Fina pode ser feita nos dois sentidos, e estas seriam então as duas outras rotas viáveis no momento (2016).

Trilha do Rio Claro

Uma quarta rota teoricamente possível, mas que foi inviabilizada, seria pela encosta sul (paulista), começando logo ao norte de Queluz. Essa rota é conhecida como a Trilha do Rio Claro, pois sobe o vale desse rio até a sua nascente, próxima ao topo da Pedra da Mina. Porém, essa rota é extremamente difícil e perigosa. Ela requer escalada em rocha em extensos trechos quase verticais (especialmente perto do topo), a travessia de matas fechadas e áreas acidentadas repletas de enormes pedregulhos, há perigo de deslizamentos em certos pontos e várias outras dificuldades. A área é de tão difícil acesso que, caso necessária, uma busca e salvamento só seria possível de helicóptero na maior parte do trajeto.

No entanto, o maior empecilho é que toda a encosta sul da montanha é propriedade particular – uma fazenda e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que se estende até a divisa interestadual na crista da serra- e os proprietários não mais autorizam a passagem. Portanto, atualmente, está rota é totalmente impraticável.

 

Fonte: wikipedia.org

Autor: araucariaexpedicoes

Agência de Viagens especializada em roteiros de Montanha.

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