Dicas de Livros

Salve salve Galerinha.

Todo mundo bem por ai? Espero que sim.

Aqui, estamos todos bem e seguindo as recomendações das autoridades, de ficar em casa em quarentena. Enquanto as expedições seguem suspensas, até que tudo se resolva e possamos voltar para as montanhas, precisamos “arrumar” o que fazer.

Pensando nisso, decidi compartilhar com vocês a minha lista de livros preferidos. Essa é uma lista de 10 livros de aventura, todos relatam experiências reais, de pessoas reais, e acontecimentos que marcaram de alguma forma o mundo outdoor. Na sua maioria são livros que envolvem caminhadas, trekkings, escaladas e expedições de montanha. Por isso, não entraram na lista, obras de arte, como as de Amyr Klink por exemplo.

Vocês podem encontrar os livros para comprar em forma de PDF na internet, ou se preferirem o livro físico, existem muitas lojas e sebos que entregam na sua casa.

Bora parar de enrolação e vamos a lista…

10º_ CONQUISTADORES DO INÚTIL

Autor: Lionel Teray

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Colocando em risco suas próprias vidas, há homens que escalam cumes e glaciares, travam com a montanha uma luta sem tréguas, em que o menor erro pode ser fatal. A estes homens é preciso mais do que coragem: É preciso paixão. Lionel Terray descreve essa paixão através da sua aprendizagem da montanha, das suas travessias nos Alpes e das suas vitorias nos cumes mais difíceis, e a sua amizade com Gaston Rebuffat, Louis Lachenal…  Guias que, como ele, eram conquistadores do inútil.

 

 

 

 

9º_ LIVRE

Autor: Cheryl Strayed

9Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. Em sua caminhada solitária, ela se deparou com ursos, cascavéis e pumas ferozes e sofreu todo tipo de privação. Em Livre, a autora conta como enfrentou, além da exaustão, do frio, do calor, da monotonia, da dor, da sede e da fome, outros fantasmas que a assombravam. “Todo processo de transformação pessoal depende de entrega e aceitação”, afirma. Seu relato captura a agonia, tanto física quanto mental, de sua incrível jornada; como a enlouqueceu e a assustou e como, principalmente, a fortaleceu. O livro traz uma história de sobrevivência e redenção: um retrato pungente do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor.

8º_ UM SONHO CHAMADO K2

Autor: Waldemar Niclevicz

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Esse livro, é o testemunho inegável da vitória de um homem sobre a natureza. De um brasileiro sobre a montanha mais desafiadora do planeta. O relato não apenas das três expedições de Niclevicz ao K2 como também o das escaladas preparatórias ao Shisha Pangma, o Cho Oyo e o Gasherbrum, além de diversos aspectos geográficos e culturais do Nepal, do Tibete e do Paquistão. Carregado de tristezas e da mais profunda e angustiante felicidade alcançada por Waldemar Niclevicz, o livro é o testemunho da força de vontade que leva alguns homens a arriscarem a própria vida em busca de um objetivo.

 

 

 

7º_ O ULTIMO LUGAR DA TERRA

Autor: Roland Huntford

7Em 17 de janeiro de 1912, depois de enfrentar durante mais de um ano as intempéries antárticas, o oficial da Marinha britânica Robert Falcon Scott chegou ao Pólo Sul e constatou que o norueguês Roald Amundsen, com menos homens e recursos econômicos, havia estado ali um mês antes, tornando-se o primeiro a pisar no último lugar da Terra´. Famintos, atacados pelo escorbuto e exauridos pelo esforço de arrastar sua própria carga – enquanto os trenós de Amundsen eram puxados por cães. Scott e seus homens morreram no caminho de volta e foram transformados em mártires do espírito heroico britânico. Para mostrar que o triunfo de Amundsen não foi um acaso, Roland Huntford reconstitui a história da exploração polar desde seus primórdios e descreve em detalhe as duas expedições rivais. Acaba por desmontar corajosamente o mito de Scott como mártir do heroísmo britânico, revelando suas fraquezas como líder e a incompetência que marcou seu empreendimento. Com base em vasta pesquisa histórica, O último lugar da Terra recria passo a passo as jornadas paralelas de Amundsen e Scott, sem perder de vista, em nenhum momento, a dimensão trágica e humana dos acontecimentos. É um rigoroso trabalho historiográfico que se lê como um empolgante romance de aventura.

6º_ 127 HORAS

Autor: Aron Ralston

6127 Horas é uma extraordinária história de sobrevivência – o doloroso relato de Aron Ralston, que passou seis dias preso em um dos lugares mais remotos dos Estados Unidos, e como um ato repleto de coragem o trouxe de volta para casa. Aron Ralston, um experiente alpinista de vinte e sete anos, estava fazendo uma caminhada sozinho em um estreito e remoto desfiladeiro de Utah, nos Estados Unidos, quando ele desalojou uma rocha de quase meia tonelada que esmagou a sua mão direita e o pulso contra a parede da montanha. Emergindo de uma dor lancinante, Aron descobriu que estava completamente preso, e lembrou que não havia avisado ninguém para onde estava indo – ou seja, a chance de ser resgatado era mínima. A partir daí começaram os seis dias mais infernais de sua vida. Com muito pouca água e comida, o único instrumento disponível era um simples canivete que, na quinta noite, ele usou para riscar e escrever na rocha o seu epitáfio, pois estava certo de que não veria mais a luz do dia. Usando sua câmera de vídeo, Aron começou a gravar mensagens de despedida para sua família e amigos, esperando que alguém pudesse achar essa gravação. Mas na manhã de quinta-feira ele teve uma inspiração divina que poderia resolver o “enigma” da rocha, um extremo e desesperado ato de bravura que salvaria a sua vida. 127 Horas é um inspirado relato escrito de forma brilhante, engraçada e honesta, de como a morte encontra a vida. Uma história que estará para sempre entre os livros clássicos de aventura.

5º_ ANNAPURNA

Autor: Maurice Herzog

5Lançado em 1951, este clássico da aventura relata uma das expedições mais dramáticas já vividas na montanha. Impossibilitado de escrever, seu autor ditou-o na cama do hospital onde se recuperava dos danos físicos sofridos durante a escalada. No dia 3 de junho de 1950 o francês Maurice Herzog – o líder da expedição – e seu companheiro de equipe Louis Lachenal alcançaram o topo do monte Annapurna, no Himalaia, tornando-se os primeiros a conquistar uma das catorze montanhas de mais de 8 mil metros do mundo. O feito se concretizou depois de meses de esforço para estabelecer a rota de ataque, numa região ainda não mapeada, sob imensas dificuldades técnicas e no limite de tempo estabelecido pela chegada da monção, prevista para os primeiros dias de junho: seria preciso abandonar a montanha antes que ela chegasse, com seus ventos fortíssimos e suas chuvas diluvianas. Desde a travessia do sul do Nepal e da conquista do cume até a volta penosa e a euforia da recepção aos heróis, a narrativa de Herzog é de tirar o fôlego e mostra por que a conquista do Annapurna se tornou uma epopeia contemporânea.

4º_ NO TETO DO MUNDO

Autor: Rodrigo Raineri / Diogo Schelp

4Rodrigo Raineri, um dos alpinistas mais experientes e bem-sucedidos do Brasil, narra, com Diogo Schelp, suas experiências nas quatro expedições (em 2005, 2006, 2008 e 2011) para alcançar o cume do monte Everest, a 8.848 metros de altitude. Em No teto do mundo, o leitor vivenciará em detalhes todas as dificuldades enfrentadas por Raineri em sua escalada, como as dificuldades climáticas extremas, com o frio intenso; e a infraestrutura precária, responsável muitas vezes por problemas de saúde. Mais do que apenas um relato, o livro fala sobre vencer os próprios limites; de superar as adversidades; da dor de perder o companheiro Vitor Negrete – parceiro de muitas escaladas — para a montanha; de saber que o Everest não é uma montanha qualquer, é Chomolungma, a Deusa Mãe do Mundo, e pode ser implacável com aqueles que a desafiam. É, sobretudo, um livro sobre a perseverança, a coragem e a amizade para superar os desafios e conquistar o teto do mundo!

3º_ TOCANDO O VAZIO

Autor: Joe Simpson

3Em junho de 1985, Joe Simpson e seu parceiro de escaladas, Simon Yates, chegam ao cume do Siula Grande, a 6300 metros de altura, nos Andes peruanos. A face oeste da montanha nunca havia sido conquistada. Logo depois da façanha, porém, os dois se assustam ao ver que a rota da volta é muito mais perigosa e traiçoeira do que haviam imaginado. Já no começo da descida, um desastre de conseqüências muito graves: Joe escorrega ao tentar desescalar uma parede de gelo e quebra a perna. Nas horas seguintes, cai a noite e uma tempestade de neve se fecha sobre eles enquanto Simon tenta desesperadamente descer o amigo com o auxílio de cordas. Numa das descidas mais aceleradas, castigado pela neve e por rajadas de vento, Joe fica suspenso no vazio, sobre uma imensa greta, sem conseguir tocar a parede de gelo e impossibilitado de tentar alguma manobra de salvamento. Para não ser arrastado para o abismo, Simon é obrigado a cortar a corda que os une. Tocando o vazio é uma narrativa épica sobre medo, dor, resistência, coragem e amizade. O livro recebeu vários prêmios, como o Boardman Tasker e o NCR e foi publicado em mais de dez línguas.

2º_ A ESCALADA

Autor: Anatoly Borkreev / G.weston DeWalt

2aNa posição de número 2, temos 04 livros, que narram a mesma história, sob perspectivas diferentes, pontos de vistas particulares que surgiram de acordo com suas vivencias durante uma tragédia na montanha mais alta do mundo – o Monte Everest.

Em 10 de maio de 1996, uma tempestade atroz atingiu a encosta do Monte Everest por mais de dez horas. Naquele ano, quatorze montanhistas faleceram durante a temporada de escaladas no Monte Everest, sendo que oito deles morreram no mesmo dia. Estas oito mortes aconteceram no fatídico dia de 10 maio de 1996 e os outros morreram no dia seguinte (em decorrência das lesões sofridas no dia anterior). O acontecimento ficou conhecido como “Tragédia do Everest” e gera discussão até hoje entre montanhistas. A fatalidade foi assunto de várias obras literárias como:

A ESCALADA Conta como o guia de montanha Anatoli Boukreev ajudou a salvar três pessoas quase mortas. O guia-chefe russo tomou uma decisão aparentemente suicida ao tentar um resgate sozinho. Enfrentou assim a tempestade, a fúria da neve e a escuridão naquilo que alguns consideram “um dos mais incríveis resgates da história do montanhismo” e que lhe valeu do Clube Americano de Alpinismo o maior prêmio concedido a atos de heroísmo, sendo eternizado como um dos maiores montanhistas do Himalaia.

2bNO AR RAREFEITO Talvez, seja o mais famoso e conhecido livro de toda essa tragédia NO AR RAREFEITO foi escrito por Jonh Krakauer, que foi contratado por uma revista para escrever sobre a crescente comercialização da escalada do monte Everest, Krakauer era um dos participantes de uma das expedições naquele dia. Muito abalado pela tragédia e obcecado em rever o evento em detalhes, ele escreveu este depoimento tocante sobre o sentido da vida e o poder dos sonhos.

 

 

 

 

2cDEIXADO PARA MORRE Beck Weathers era um dos alpinistas que estavam na montanha naquele fatídico dia, atingido por uma cegueira que o impedia de caminhar, ele acabou ficando para traz durante a tormenta. Quando foi possível uma primeira tentativa de resgate, Beck estava à beira da morte e foi abandonado na neve enquanto outros, com mais chance de sobreviver, foram salvos. Doze horas mais tarde, aconteceu o inexplicável: Beck surgiu descendo a montanha na direção do acampamento, cego, sem luvas, e com gelo invadindo até mesmo o interior do macacão térmico. Um verdadeiro milagre naquelas condições. Esse livro narra, toda a sua incrível jornada desde a tempestade que deveria tê-lo matado até sua surpreendente volta à vida. Tudo isso com a intensidade única de quem ganhou uma inesperada e extraordinária segunda chance.

 

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EM BUSCA DA ALMA DO MEU PAI. Esse seria um livro que não deveria ter nada em comum com os outros citados, é o relato da escalada do Everest do ponto de vista sherpa e budista, e é um retrato emocionante da cultura de um povo que costuma ser deixado de fora da história. Em 1995, o cineasta David Breashers convidou Jamling Tenzing Norgay para participar de uma expedição de filmagem ao cume do Everest.  Jamling é filho de Tenzing Norgay o primeiro homem a pisar no topo do mundo, juntamente com Edmund Hillary em 1953. Por uma coincidência trágica, essa expedição ocorrera em 1996, Jamling e toda a equipe de filmagem da IMEX estava na base da montanha durante a tempestade.

Como preciso escolher um único livro, já que a proposta é escolher os 10 livros, do meu ponto de vista, o melhor entre os quatro, é A ESCALADA. Se você só pode ler um, leia A ESCALADA. Mas se pode ler mais, leia os quatro.

1º_ A INCRIVEL VIAGEM DE SHECKETON

Autor: Alfred Lansing
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Chegamos ao número 1 da lista, esse, é um daqueles livros que você lê de uma única vez, você simplesmente não consegue parar a leitura, e quando termina de ler, você simplesmente não consegue acreditar. Cheio de ação, aventura e riquíssimo em detalhes.

 No verão de 1914, Sir Ernest Shackleton parte a bordo do Endurance em direção ao Atlântico Sul. O objetivo de sua expedição era cruzar o continente antártico, passando pelo Pólo Sul. Mas, a apenas um dia do ponto de desembarque planejado, o Endurance fica aprisionado num banco de gelo no mar de Weddell e acaba sendo destruí do. Por quase seis meses, Shackleton e sua tripulação sobrevivem em placas de gelo em uma das mais inóspitas regiões do mundo, até que conseguem iniciar sua tentativa de retorno à civilização nos botes salva-vidas. Através dos diários e entrevistas com alguns membros da expedição, Alfred Lansing reconstrói as dificuldades que a tripulação do Endurance enfrentou. Em uma narrativa fascinante, Lansing descreve como Shackleton conseguiu que, após quase dois anos do início da viagem, todos retornassem com vida.

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Se tiver a oportunidade leia ENDURANCE também, o fotógrafo Frank Hurley estava na expedição de Sheckleton, e produziu um registro sem precedentes na história da fotografia.

 

BÔNUS_ PATAGÔNIA VERTICAL

Autor: Rolando Garibotti / Dorte Pierron

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Esse é um livro, que não conta exatamente uma história, ele é um guia de escalada, é um item “obrigatório” para qualquer escalador que pretende subir o Fitz Roy, o Cerro Torre ou qualquer outra montanha da cidadezinha de El Chalten na Argentina, mas, muito mais do que croquis e vias de escalada, esse clássico da literatura traz, histórias fantásticas de conquistas, de disputas e dramas surpreendentes, que cercam as paredes de escalada mais famosas de América do Sul. PATAGÔNIA VERTICAL, com toda certeza, não poderia ficar de fora dessa lista.

 

Espero que todos fiquem bem, e que em breve nos encontremos em alguma montanha por ai. E lembrem-se FIQUE EM CASA.

Leonardo Fernandes

Pedra da Mina, um pouco da história…

Primeira subida

A primeira subida documentada da Pedra da Mina ocorreu em 1955, por um grupo de oito pessoas formado por iniciativa de quatro imigrantes alemães (Henning Bobrik, Gunther Engels, Felix Bernhard Hacker e Theodor Reimar Hacker). Eles haviam sido montanhistas alpinos em seu país natal, mantiveram o hobby quando vieram para o Brasil e decidiram explorar a então relativamente desconhecida Serra Fina, que eles haviam avistado ao explorarem anteriormente o maciço do Itatiaia, que é próximo. Foram acompanhados pelo fazendeiro José Dias, de Passa Quatro, e três dos seus empregados (José Vidal, Geraldo Américo e Sebastião Pedro). O grupo decidiu abordar a serra a partir do lado mineiro, muito menos íngreme, e depois de quatro dias difíceis, com muito frio, chuva e neblina, os oito homens chegaram ao topo da Pedra da Mina, que eles identificaram corretamente como sendo o ponto mais alto da Serra Fina, em 8 de julho de 1955. Com um barômetro, eles mediram uma altitude de 2718 m. A descida durou mais três dias.

Mais tarde, o relativo isolamento da serra Fina, que é desabitada, não é atravessada por nenhum passo ou estrada, tem relevo íngreme e é cercada de vegetação densa, manteve a área pouco conhecida, mal mapeada e raramente explorada até o final do século XX, a não ser por esporádicas expedições dos membros do (naquela época) pequeno Clube Alpino Paulista a partir da década de 1970. Os mapas antigos da região mostravam valores altamente discrepantes para a altitude da Pedra da Mina, desde 2437 m em algumas cartas aeronáuticas até 2770 m na carta topográfica oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a área, editada em 1974. Com efeito, em janeiro de 2000 um pequeno avião chocou-se com a montanha vizinha à Pedra da Mina, possivelmente devido a cartas aeronáuticas incorretas, matando seus quatro ocupantes. Os destroços ainda podem ser vistos na montanha, que por esta razão é hoje conhecida como Morro do Avião.

Novas medições

Sem uma medição precisa das montanhas da serra Fina, até 1999 pensava-se que o ponto mais alto da serra da Mantiqueira era o conhecido pico das Agulhas Negras, com sua forma característica, no vizinho Maciço do Itatiaia, então com uma altitude oficial de 2787 m. Naquele ano, o hoje geógrafo Lorenzo Giuliano Bagini, na época ainda estudante de graduação da Universidade de São Paulo (USP), que também era montanhista e conhecia a região, suspeitou que a Pedra da Mina fosse mais alta do que se pensava, e mediu sua altitude por GPS, obtendo 2796 m. Isso tornaria a Pedra da Mina alguns metros mais alta que o pico das Agulhas Negras. Bagini notificou a universidade, que no ano seguinte acabou enviando uma expedição oficial à montanha, levando um equipamento de GPS profissional de altíssima precisão, e encontrou uma altitude um metro ainda mais alta que a anteriormente medida por Bagini.

Projeto Pontos Culminantes (2004)

No entanto, de acordo com as leis federais brasileiras, nenhum dado geográfico pode ser oficialmente aceito no país se não for publicado pelo IBGE. Embora a expedição da USP tivesse total credibilidade e não se duvidasse da precisão da sua medida, o IBGE está legalmente impedido de aceitar ou reconhecer quaisquer dados geográficos que não os seus próprios. Além disto, o IBGE usa parâmetros de georreferenciamento diferentes dos da USP. Esta foi uma das motivações para o IBGE lançar o Projeto Pontos Culminantes do Brasil, em associação com o Instituto Militar de Engenharia (IME), com o objetivo de medir com precisão a altitude das montanhas mais altas do país, utilizando a mais moderna tecnologia de GPS.

Assim, como partes do projeto, tanto a Pedra da Mina quanto o pico das Agulhas Negras (além de diversas outras montanhas) foram escalados em 2004 e suas altitudes medidas. A expedição conjunta mais uma vez confirmou que a Pedra da Mina de fato era alguns metros mais alta que o até então ponto culminante oficial da Mantiqueira, com 2798,39 m, contra 2791,55 m do pico das Agulhas Negras – uma diferença de 6,84 m. O IBGE logo revisou seus dados publicados para que estes refletissem a nova altitude oficial da montanha e sua posição no ranking das montanhas brasileiras.

Correção da altitude em função do geoide (2016)

Em 2015, o IBGE completou um novo mapeamento mais preciso do território brasileiro quanto ao geoide, a superfície imaginária e irregular, baseada no campo gravitacional da Terra, que serve de referência para medições de altitude. Isto levou o Instituto a recalcular a altitude das montanhas medidas no projeto anterior em função da nova referência. Os novos dados foram publicados em fevereiro de 2016. A altitude da Pedra da Mina foi corrigida para 2798,06 m – uma diferença de 33 cm a menos. Ao mesmo tempo, o pico das Agulhas Negras passou a ter oficialmente 2790,94 m, ou 61 cm menos. Assim, a Pedra da Mina aumentou ligeiramente a vantagem sobre seu vizinho e rival, para 7,12 m.

Atualmente o Lorenzo, está trabalhando em um projeto para a criação de um livro que conta toda essa história detalhadamente.

“O livro propõe um resgate da história do lugar, com os registros das primeiras expedições e dos personagens nelas envolvidos, assim como os primeiros levantamentos cartográficos e pesquisas científicas. Existe ainda muito pouca documentação sobre a Serra Fina e não há nenhum livro específico sobre o maciço. Por isso este projeto tem um papel fundamental no registro da história e do patrimônio natural e paisagístico do maciço, visando tornar-se uma referência no debate sobre o futuro da Serra Fina.”

 Para conhecer mais sobre o projeto e o livro basta entrar no site www.portalserrafina.com.br

Acesso

Trilhas do Paiolinho, Toca do Lobo e Garganta do Registro

A montanha é quase sempre alcançada a partir do norte (ou seja, de Minas Gerais), de onde a rota mais curta é através de uma árdua trilha até o topo (com algumas partes mais íngremes de “escalaminhada”), acampando-se no cume ou próximo a ele e retornando-se no dia seguinte. Essa trilha é bem marcada e começa numa fazenda junto ao povoado de Paiolinho, no município de Passa Quatro, a 1566 m de altitude; o ponto inicial da trilha é acessível por veículos comuns de passeio através de uma estrada de terra.

Como alternativa, a Pedra da Mina também pode ser atingida como parte de uma caminhada mais longa (de alguns dias) ao longo da crista da serra Fina, alcançada por uma trilha mais a oeste que começa num local chamado “Toca do Lobo”, ao lado de uma fazenda também próxima de Passa Quatro. Essa caminhada termina no município mineiro de Itamonte, na rodovia BR-354, que percorre o passo de montanha denominado Garganta do Registro, que separa a serra Fina do maciço de Itatiaia. A travessia completa da serra Fina pode ser feita nos dois sentidos, e estas seriam então as duas outras rotas viáveis no momento (2016).

Trilha do Rio Claro

Uma quarta rota teoricamente possível, mas que foi inviabilizada, seria pela encosta sul (paulista), começando logo ao norte de Queluz. Essa rota é conhecida como a Trilha do Rio Claro, pois sobe o vale desse rio até a sua nascente, próxima ao topo da Pedra da Mina. Porém, essa rota é extremamente difícil e perigosa. Ela requer escalada em rocha em extensos trechos quase verticais (especialmente perto do topo), a travessia de matas fechadas e áreas acidentadas repletas de enormes pedregulhos, há perigo de deslizamentos em certos pontos e várias outras dificuldades. A área é de tão difícil acesso que, caso necessária, uma busca e salvamento só seria possível de helicóptero na maior parte do trajeto.

No entanto, o maior empecilho é que toda a encosta sul da montanha é propriedade particular – uma fazenda e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que se estende até a divisa interestadual na crista da serra- e os proprietários não mais autorizam a passagem. Portanto, atualmente, está rota é totalmente impraticável.

 

Fonte: wikipedia.org

O Túnel da Mantiqueira

A Construção

WhatsApp Image 2017-06-15 at 10.43.49Com 997 metros de cumprimento, localizado na garganta do Embau, no alto da Serra da Mantiqueira, entre as cidades de Cruzeiro- SP e Passa Quatro- MG, esta o um dos mais famosos tuneis ferroviários do Brasil.

Construído em 1882 pelo engenheiro Herbert E. Hunt, para fazer a ligação entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por determinação do imperador Dom Pedro II para servir a Estrada de Ferro Minas and Rio, última estrada construída por Visconde de Mauá.  A viagem inaugural contou com a presença ilustre, do imperador D. Pedro II e sua comitiva.

 

Revolução de 1932

O Túnel foi um local estratégico para a Revolução Constitucionalista de 1932 por fazer divisa com São Paulo (Cruzeiro) e Minas Gerais (Passa Quatro).

 

Combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico bem como o túnel da estrada férrea o que permitiria o controle do acesso ao sul de Minas por ferrovia. Ali foi considerado um dos principais front do conflito, onde tiveram as lutas mais violentas e com maior número de baixa de todas as frentes de combate. Essa posição naquele conflito foi um dos poucos locais onde as tropas paulistas não foram derrotadas. O local foi dominado pelas tropas federais de Getúlio Vargas somente após o recuo estratégico dos paulistas para Guaratinguetá, no atual bairro de Engenheiro Neiva, para evitar o iminente envolvimento de suas posições pelos flancos, de modo a não serem encurralados pelo inimigo, dado o avanço das tropas federais através da frente de combate de Pinheiros, Vila Queimada e Batedouro.

 

Atualmente

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Estação Coronel Fulgêncio, Ponto de parada do Trem da Mantiqueira

Hoje o túnel é ponto final do passeio do Trem da  Mantiqueira, Maria Fumaça que sai de Passa Quatro.

Em 2017 o governo do estado de Minas Gerais, por meio do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, aprovou o tombamento do Túnel da Mantiqueira.

 

Já tive o privilegio de atravessar esse túnel algumas vezes, inclusive, no meio da noite, e, se com a luz do dia ele se mostra assustador, durante a noite ele se torna apavorante e sinistro. Rajadas de vento que vem e vão dão um ar aterrorizante ao ambiente, a escuridão é total, e calafrios na espinha não são raros…

Qualquer um que conhece a história de 32 segue o percurso com os pelos dos braços constantemente arrepiados e com uma sensação mágica de estar caminhando numa linha tênue entre o presente e o passado.

Atravessar o túnel, é uma experiencia extradicionaria, a impressão que se tem, é que está entrando em um portal para outra dimensão ou algum cenário de filme ou ate mesmo de desenho animado (quem é que não se lembra da famosa animação “A caverna do Dragão”).

Aqui a fé dos soldados que aqui combaterão, foi duramente testada. Este pedaço de chão e estas montanhas são testemunhas silenciosas dos atos de bravura de quem lutou por um ideal e dos dramas pessoais daqueles que encontraram a morte ou voltaram para casa terrivelmente feridos e mutilados. Heróicos soldados brasileiros.

Leonardo Fernandes

 

A Lenda do Itaguaré.

O Gigante adormecido 

12472461_1721512184787211_8155944098377884848_nEra uma vez, repousando entre os braços maternos da Serra da Mantiqueira, um vale maravilhoso habitado por uma tribo dos índios puri. O nome puri significa “gente mansa, pacífica”, e, em harmonia com tal nome, eles viviam ali em plena paz uns com os outros e com a natureza.
No centro da aldeia ficava uma grande pedra, considerada sagrada pelos puris. Chamavam-na “iñan”. E não poderia ser mais simbólico, pois “iñan” significa “mãe”. Sobre a pedra-mãe costumavam abater suas caças e preparar seus alimentos, e ao redor dela se reuniam para comer e festejar. Também nas reuniões da assembléia indígena, o velho cacique sentava sobre a pedra sagrada e de lá, com sua notória sabedoria adquirida no decurso de muitas épocas, aconselhava acerca das questões trazidas pelo povo.
Foi numa dessas reuniões que o cacique, o qual há muitas luas andava calado e pensativo, revelou à tribo o motivo de sua grande preocupação:
Tendo conversado com respeitados irmãos de outras tribos, tomara conhecimento de uma grande ameaça que pairava sobre o vale. Tratava-se de uma cruel e desconhecida tribo, que vinha causando terror por onde passava. Era uma gente de pele branca e hábitos bárbaros, que abria caminho derrubando árvores e queimando as matas. Poluíam com seus lixos os rios, e, aos animais, matavam não só para comer, mas às vezes por puro prazer. Muitas tribos numerosas dotadas de poderosos guerreiros já haviam sido dizimadas pelos invasores. Em seu avanço indomável em busca de ouro e riquezas, inevitavelmente chegariam ao lar da pequena e indefesa tribo puri.
Os índios não dormiram naquela noite. Acostumados a encarar de frente todos os perigos das matas, intimidavam-se agora prestes a enfrentar um bicho novo e atemorizante. Um bicho feroz e voraz chamado… bandeirante.
Poucas luas depois, a profecia se concretizou. Eles vieram com suas armas poderosas, carregando um grande baú recheado de ouro e diamantes, o qual, na sua insaciável ganância, só queriam aumentar mais e mais.
Aos indefesos nativos, a bandeira escravizou, e para as minas levou, obrigando-os a trabalhar na extração de ouro para abastecer seu tesouro.
O líder dos bandeirantes era mais cruel do que todos os outros. Os índios o chamaram Ponã, que na língua puri significa onça, o bicho mais traiçoeiro da mata. Enquanto os demais forasteiros estavam apenas cegados pela cobiça do ouro, este um parecia mesmo gostar de fazer maldades. Ria-se ao assistir os nativos serem punidos por qualquer rebeldia, gargalhava ao ver os índios velhos se encurvarem sobre o peso das picaretas, divertia-se com o desespero das índias chorando o castigo de seus curumins fraquinhos e a perda de seus maridos, tombados pelo cansaço.
E, sem nada poder fazer para se livrar, os índios resignavam-se em orar ao seu deus sol e à deusa lua. Clamavam ao raio e ao trovão.
Um dia, Ponã, o bandeirante mal, tentou castigar um curumim faminto que lhe roubara um pedaço de carne, mas o indiozinho correu tanto e foi parar nos recônditos da mata, onde ninguém nunca havia ido.
Lá, o espantado curumim deparou com um índio gigante, que dormia despreocupado deitado à sombra da serra.
O curumim pisou num galho seco e o gigante acordou.
– Que fazes nos meus domínios, ó pequenino?
O gigante não parecia mal. O curumim contou-lhe a desgraça de seu povo, mas aquele se mostrou indiferente ao seu sofrimento.
“Sou o último remanescente de minha tribo”, respondeu o gigante, “Há muito vivo aqui, na montanha, escondido e só. As questões alheias não me interessam. Agora vá embora, pois não quero perder minha paz.”
Mas o curumim derramou uma lágrima tão pura que o coração do gigante se enterneceu. Colocando o indiozinho sobre o ombro direito, saiu marchando rumo ao acampamento dos bandeirantes determinado a acabar com a razão do seu choro.
Os invasores tremeram as pernas quando o viram, foi uma correria só. Mas, parecendo temer mais os gritos furiosos de seu líder do que o próprio gigante, pegaram suas espingardas, como Ponã lhes ordenava, e puseram-se a disparar contra o oponente, em direção à sua cabeça enorme.
Ignorando os tiros, o grandalhão arrancou uma árvore e com ela golpeou Ponã, que foi arremessado longe e, quando caiu, não levantou mais.
Bastou derrubar o líder e lá se foi a coragem dos expedicionários. Na pressa de fugir, deixaram para trás até o baú do tesouro, pois suas vidas valiam mais do que o ouro.
Libertos do cativeiro, os puris convidaram seu salvador a ir com eles até a aldeia. Lá, em homenagem ao novo amigo, ofereceram um grande banquete que durou muitos dias e noites . E ao redor da iñan, a pedra-mãe, dançavam a dança dos puris, cantando a derrota do homem branco e louvando a coragem do seu gigante herói. Chamaram-no Lakaré Xatã, que significa braço amigo.
Entre as comemorações, o velho cacique decidiu esconder o tesouro, pois outros poderiam vir à sua procura. O gigante se ofereceu para a tarefa. Já caía a noite quando Lakaré Xatã penetrou na mata escura levando o pesado baú. Os índios esperaram até alta madrugada, mas de lá ele não voltou mais.
Na manhã seguinte, a serra estava mais linda do que nunca, mas nela havia algo diferente: em certo ponto, a Mantiqueira agora exibia os contornos perfeitos da silhueta de um homem, um homem imensamente grande, um gigante, deitado tão tranquilamente como o mais dócil puri.
Uns índios diziam que o gigante fora ferido pelos tiros, sim (só não se viu o sangue devido à enorme distância entre sua cabeça e o chão), e que fora embora para que seus amigos puris não o vissem morrer. Mas tombou lá na serra, onde seu corpo, em vez de se decompor, virou rocha instantaneamente, desenhando na montanha um novo e perene contorno. Ainda outros afirmavam que o Lakaré Xatã partira ileso, ansioso de voltar à sua existência solitária. Mas, diante da ameaça do ataque de outros bandeirantes, sua preocupação com os novos e diminutos amigos o fez ficar. Deitou-se sobre a serra, e lá passou a dormir o sono imenso dos gigantes, pronto a despertar quando novamente os índios e a mata corressem perigo.
E, desde aquele episódio, lá, onde hoje fica o bar da pedra, a aldeia passou a se reunir todas as noites ao redor da pedra-mãe, onde os índios mais velhos não se cansavam de contar aos indiozinhos a história de seu gigante amigo, para não deixar morrer a memória daquele ser especial. A cada noite em que a história era contada, os curumins iam dormir sonhando com aquela tamanha aventura, e, ao acordar de manhã ao canto dos pássaros, olhavam enternecidos para a serra, onde, entre as fendas e picos, para sua surpresa e deleite, por um breve instante, o Gigante Adormecido parecia sorrir.
O tesouro continua lá até hoje, no Vale do Gigante, escondido em algum lugar.

Por Marcos A. Melo.

Mistérios no Pico dos Marins

“O dia era, 08 de junho de 1985. Uma data para não esquecer. Início de uma história de 32 anos que mudou a minha vida e a da minha família.”

O misterioso desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio 4Marco Aurélio, 15 anos, fazia parte de um grupo de quatro jovens  do Grupo Escoteiro Olivetano, liderados pelo chefe Juan Bernabeu Céspedes, que buscava alcançar o Pico dos Marins, de 2.420m, próximo a cidade de Piquete, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

A 1.700 metros de altitude, um garoto torceu o pé.  Marco Aurélio, Com o objetivo de ajudar, o escoteiro Marco Aurélio Simon se ofereceu para ir à frente do grupo, abrindo caminho para passagem do amigo acidentado, e também para ver se encontraria alguma ajuda o mais rápido possível, enquanto os demais tentariam segui-lo lentamente. O jovem escoteiro, foi se distanciando e desapareceu sem deixar qualquer tipo de pista ou rastro, e a partir de então nunca mais foi visto.

Iniciava-se nesse momento um dos maiores mistérios indecifráveis conhecidos no Brasil, o “Desaparecimento do Escoteiro Marco Aurélio Simon.” Mais de 300 homens realizaram as buscas por cerca de 28 dias, incluída entre as maiores já realizadas no Brasil, com policiais civis, militares, mateiros, espeleólogos, alpinistas, dois helicópteros, três equipes do COE – Comando de Operações Especiais, teólogos.

“O dia era, 08 de junho de 1985. Uma data para não esquecer. Início de uma história de 32 anos que mudou a minha vida e a da minha família.” lembra Ivo Simon, o pai de Marco Aurélio.

O misterioso desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio 1

Desde a época do sumiço, suspeitas recaem também sobre o guia da excursão, o escoteiro Juan Bernabeu Céspedes. Foi ele o último a ter contato com o jovem. Como consta no inquérito, Naquela tarde, o líder chegou a acompanhar o  garoto até certo ponto da descida, deixando os demais aventureiros para trás.

A polícia chegou a investigar se havia uma possível motivação sexual no desaparecimento do jovem. Depoimentos de delegados, apensados ao inquérito, apontavam que o guia poderia ter abusado do garoto – e, depois, o matado. Mas essa hipótese foi descartada pois as buscas não encontraram nenhum sinal do corpo ou vestígios do garoto.

Durante 28 dias mais de 300 pessoas participaram das buscas, entre voluntários, policiais civis, militares e bombeiros, que vasculharam o pico a pé e com helicópteros. Nenhum corpo, nenhum pedaço de roupa ou rastro na terra foram achados. Foi como se Marco Aurélio tivesse “evaporado”. A polícia vasculhou o local de forma muito minuciosa, fazendo até mesmo várias varreduras no mesmo local, em busca de pistas que possam ter sido ignoradas nas primeiras buscas, mas nada que indicasse o que aconteceu com Marco Aurélio foi encontrado.

Trata-se de um dos maiores mistérios do mundo, segundo especialistas, superando os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas, porque não se encontrou até hoje um indício ou prova material do que ocorreu.

Hipóteses para o desaparecimento

Suspeitas é o que não falta nesse caso. Para alguns, alienígenas levaram o jovem. Para outros, uma seita chamada Borboleta Azul sequestrou o menino. Especulou-se até que um animal, como uma onça, poderia ter devorado o escoteiro. Mas no caso de assassinato e morte por ataque de animal, como explicar que nenhum rastro suspeito jamais foi encontrado?

O desespero da família era tamanho, que qualquer notícia que pudesse trazer alguma pista para descobrir o paradeiro do garoto era averiguada pela família. Um delegado de polícia, amigo de pessoas próximas a família Simon, chegou a sugerir ao pai de Marco Aurélio que ele entrasse em contato com um general da Aeronáutica. Esse seria conhecedor de fenômenos ligados a extraterrestres.

A hipótese de abdução alienígena passou a ser cogitada, tanto que Ivo Simon , pai de Marco Aurélio, chegou a contatar uma pessoa que dizia ser capaz de falar com alienígenas via telepatia (algumas fontes afirmam que essa pessoa era o próprio general citado acima), para que esse perguntasse aos seres de outros planetas a respeito de informações sobre o garoto, mas nenhuma resposta foi dada.

“Fomos a umbandistas, parapsicólogos, espíritas. A maioria diz que ele está vivo”, conta Ivo.

A família chegou a procuraram o famoso médium Chico Xavier, na época, tiveram a seguinte resposta: “Só me comunico com pessoas que desencarnaram, e não com os vivos”. Por conta disso tudo, a família Simon acredita que o rapaz ainda está vivo.

As Luzes e o som de apito

Na segunda noite de buscas, os garotos que estavam com Marco Aurélio, em conjunto com o líder do grupo (Juan Bernabeu) e mais algumas outras pessoas estavam se preparando para dormir, ouviram primeiro um grito na mata próxima, sendo que após o grito surgiu o som de um apito. Todos se espantaram, pois Marco Aurélio como escoteiro usava um apito, que é um instrumento de auxílio para ajudar a localização de uma pessoa perdida ou em dificuldades na mata.

No momento do som do apito, todos saíram do casa onde estavam alojados, que era do Sr. Afonso que era um guia local, e se dirigem em direção à mata, onde havia surgido o som, e de repente se deparam com flash’s de luzes azuis, as quais se acenderam e se apagaram por três vezes.

Após esse incidente, o líder do grupo, Juan Bernabeu, também pegou seu apito e foi em direção à mata e começa à soprá-lo, solicitando um retorno, mas nada acontece, somente silêncio.

Em consulta, os estudiosos de assuntos ufológicos disseram que nesse momento foi o instante em que Marco Aurélio pode ter sido abduzido por extraterrestres, devido aos detalhes do fenômeno. O fato citado acima foi verídico, e consta no processo policial sobre o desaparecimento de Marco Aurélio.

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Marco Antonio, gêmeo de Marco Aurélio

A família nunca perdeu as esperanças de encontrar Marco Aurélio, e acompanha como seria a fisionomia do filho pelas transformações no rosto de Marco Antonio, irmão gêmeo univitelino de Marco Aurélio.

A Casa de Pedra

O ‘bunker’ de Getúlio Vargas na Serra da Mantiqueira

Construída em 1932, por ordem do então Presidente da Republica Getúlio Vargas, a Casa de Pedra,  foi criada para ser uma aconchegante fortaleza de rochas, no meio da montanha, seria o seu refúgio em caso de ataque ao Palácio do Governo durante a Revolução Constitucionalista. Para ter acesso a este lugar, Getúlio usava o Brejo da Lapa para pouso de seu hidroavião.

Fascinado bela beleza e diversidade da fauna e da flora daquela região, Getúlio, em 1937, criou a primeira área de proteção ambiental do Brasil, o Parque Nacional do Itatiaia, com 30 mil hectares.

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Hoje a casa serve como estrutura para a administração do parque. E é uma atração turística da Rodovia das Flores, BR-485, a estrada federal brasileira em maior altitude, que leva até a parte alta do parque.

parque-nacional-do-itatiaiaContam os moradores da região que, nos anos 1950, Itatiaia abrigou vários fugitivos nazistas, principalmente no Hotel Alsene, que depois foram se refugiar no Paraguai e na Argentina. Também havia um hotel no estilo germânico, à beira da Via Dutra, entre Itatiaia e Resende, que foi fechado na década de 1970 por promover reunião de neonazistas. Isso parece sugerir que a semelhança apontada por pesquisadores, entre a Casa de Pedra de Getúlio Vargas e o “Ninho da Águia” de Hitler em Berchtesgadenna, nos Alpes, é mais que mera coincidência.

SHIT TUBE

O que é o SHIT TUBE:

IMG_7231aO SHIT TUBE é o equipamento usado pelos esportistas (escaladores, montanhistas, espeleologistas e outros), para armazenar e trazer de volta os excrementos produzidos em suas passagens por ambientes naturais.

Porque usar o SHIT TUBE:

As montanhas geralmente, possuem um ecossistema relativamente frágil. E dependendo da quantidade de pessoas na trilha ou num acampamento, o ecossistema não consegue absorver todos os dejetos, além de ser extremamente desagradáveis e prejudiciais encontrar fezes e papel higiênico espalhado pela montanha.

Em muitos parques, fora do Brasil, o uso do SHIT TUBE é obrigatório, aqui essa ainda é uma pratica pouco comum.

A situação na Mantiqueira, chegou a um nível alarmante, pois as montanhas vêm sofrendo, dia após dia, com a superlotação e o excesso de pessoa (em alguns finais de semana durante a temporada, grupos gigantescos vão em direção a seus cumes), isso sem falar nos feriados nacionais, onde a coisa fica impraticável.
O solo da montanha, na maior parte das vezes é rochoso e não dá para cavar. E quando dá, geralmente é feito em buracos muito rasos e inadequados.
Apesar de, a Mantiqueira ser imensa, as pessoas vão SEMPRE aos mesmos locais (geralmente cumes e acampamentos já usuais) ou seja elas sempre “usam como banheiro” os mesmos locais (arredores de cumes e de acampamentos), a montanha já não consegue mais absorver esse tudo isso.

É muito importante lembrar que nos cumes é ainda mais difícil cavar, devido a quantidade de pedras.

Hoje é bem fácil encontramos:

Campos minados na montanha (eu mesmo já pisei em coco de gente),
Papel higiênico voando pelos campos de altitude,
Cheiro desagradável (como está no Pico dos 3 Estados),
A agua das chuvas leva as fezes para as nascentes de rios. E acaba contaminando a agua que a gente deveria beber (assim como ocorre na Base dos Marins).
Sem falar que a sujeira atrai animais.
Outro fator que temos que levar em consideração é o tempo que demora para as fezes se decomporem. Geralmente demora meses. Porém, o clima de montanha por ser diferente do resto do Brasil dificulta essa ação. E faz com que esse tempo seja maior ainda.
Enterrar é hoje, uma solução que já não resolve mais. Como já disse anteriormente,  a ideia do SHIT TUBE, já é muito utilizada fora do Brasil, aqui ainda estamos começando, mas é tudo questão de habito, se mudarmos só um pouquinho, conseguimos fazer muito.
A campanha de conscientização:

A campanha conta com o apoio de operadores turísticos (hosteis, hotéis, pousadas, transfer e guias) na região da Mantiqueira (principalmente nas cidades de Passa Quatro, Itanhandu e Piquete e Cruzeiro), cada hostel, cada guia e cada pessoa que faz transporte de montanhistas nessas cidades, vai ter um cartaz explicando a importância do uso e como utiliza o SHIT TUBE.

Junto os estabelecimentos terão alguns SHIT TUBES à venda, para oferecer aos turistas que se interessarem pela causa. A ideia é vender o SHIT TUBE a preço de custo mesmo, pois o objetivo não é lucrar com isso, e sim ajudar na preservação.

Como surgiu a ideia:

A ideia surgiu a partir das visitas constantes que realizo na montanha como guia, assim pude perceber que cada vez mais, após cada feriado, cada fim de semana, a montanha fica mais suja, cheia de papel higiênico e m&rd@ espalhada por toda parte.

Tenho uma agencia de turismo e sou guia na região da Mantiqueira, venho observando que a grande maioria (mas ainda não são todos) dos guias, assim como as agências de turismo de montanha mais serias fazem uso do SHIT TUBE.

Percebo, porém, que muita gente vai de forma “independente” para a montanha, ou seja, não contratam agencia, nem guia – algumas dessas pessoas já utilizam o SHIT TUBE, mas a maior parte ainda não o fazem, não sei se, por falta de informação, se por ignorância, se por vergonha, mas não o fazem.

A campanha é, justamente para alertar e orientar essas pessoas que vão de forma independente. Pois se vão com guia ou agencia, os mesmo têm a obrigação de orientar seus clientes.

Cada operador turístico envolvido, atende esses “montanhistas independentes”, seja com transporte ou com hospedagem, se esses operadores conseguissem orientar, informar e conscientizar sobre a importância do SHIT TUBE a seus clientes, conseguiríamos abranger um número muito grande de pessoas que vão a montanha.

E assim estamos fazendo, estamos conversando com cada operador turístico da montanha, e pedindo ajuda nessa causa, várias pessoas já estão dando apoio, porém, ainda falta conversar com muita gente, a AMPM- ASSOCIAÇÃO DE MONTANHISMO E PRESERVAÇÃO DA SERRA DA MANTIQUEIRA, da qual faço parte, comprou a ideia de imediato e está trabalhando em um projeto paralelamente.

Costumo dizer as pessoas que converso, que esse é um trabalho de formiguinha, todo dia temos que fazer um pouquinho, mas sabemos que tem muitas formiguinhas por ai trabalhando pela montanha. Cada uma fazendo um pouquinho e logo logo esse pouquinho vai virar um montão…

Como fazer o SHIT TUBE:

Material:

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  • 25 a 30 cm de tubo de PVC com 100mm;
  • 2 Tampas (Caps) próprias para PVC de 100mm
  • 1 anel de borracha para vedação de 100mm
  • Cola de PVC
  • Cal virgem para desinfecção e desodorização;
  • 60 cm de cordelete ou cordin

Como fazer:

Para montar basta passar cola em uma das pontas do cano e colar a tampa (caps), esta será a parte do fundo,

A outra tampa é só colocar o anel de vedação e encaixar do outro lado.

Com o cordelete ou cordin, amarre as extremidades (assim dá para carregar o shit tube do lado de fora da mochila)

Como utilizar o shit tube

  1. Jogue um pouquinho de cal virgem sobre uma folha de jornal.
  2. Faça suas fezes sobre o jornal;
  3. Jogue uma colher de cal virgem para evitar qualquer tipo de odor. Jogada sobre as fezes, as fazem endurecer. (Não esqueça de jogar o papel higiênico junto).
  4. Feche o jornal com cuidado e coloque-o dentro de um saco (esses de supermercado mesmo de preferência aqueles biodegradáveis), tire o ar de dentro do saco, feche bem e jogue dentro do Shit Tube.
  5. Ao chegar em local adequado, basta descarregar no vaso sanitário ou enterrar.

Leonardo Fernandes