Pedra da Mina, um pouco da história…

Primeira subida

A primeira subida documentada da Pedra da Mina ocorreu em 1955, por um grupo de oito pessoas formado por iniciativa de quatro imigrantes alemães (Henning Bobrik, Gunther Engels, Felix Bernhard Hacker e Theodor Reimar Hacker). Eles haviam sido montanhistas alpinos em seu país natal, mantiveram o hobby quando vieram para o Brasil e decidiram explorar a então relativamente desconhecida Serra Fina, que eles haviam avistado ao explorarem anteriormente o maciço do Itatiaia, que é próximo. Foram acompanhados pelo fazendeiro José Dias, de Passa Quatro, e três dos seus empregados (José Vidal, Geraldo Américo e Sebastião Pedro). O grupo decidiu abordar a serra a partir do lado mineiro, muito menos íngreme, e depois de quatro dias difíceis, com muito frio, chuva e neblina, os oito homens chegaram ao topo da Pedra da Mina, que eles identificaram corretamente como sendo o ponto mais alto da Serra Fina, em 8 de julho de 1955. Com um barômetro, eles mediram uma altitude de 2718 m. A descida durou mais três dias.

Mais tarde, o relativo isolamento da serra Fina, que é desabitada, não é atravessada por nenhum passo ou estrada, tem relevo íngreme e é cercada de vegetação densa, manteve a área pouco conhecida, mal mapeada e raramente explorada até o final do século XX, a não ser por esporádicas expedições dos membros do (naquela época) pequeno Clube Alpino Paulista a partir da década de 1970. Os mapas antigos da região mostravam valores altamente discrepantes para a altitude da Pedra da Mina, desde 2437 m em algumas cartas aeronáuticas até 2770 m na carta topográfica oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a área, editada em 1974. Com efeito, em janeiro de 2000 um pequeno avião chocou-se com a montanha vizinha à Pedra da Mina, possivelmente devido a cartas aeronáuticas incorretas, matando seus quatro ocupantes. Os destroços ainda podem ser vistos na montanha, que por esta razão é hoje conhecida como Morro do Avião.

Novas medições

Sem uma medição precisa das montanhas da serra Fina, até 1999 pensava-se que o ponto mais alto da serra da Mantiqueira era o conhecido pico das Agulhas Negras, com sua forma característica, no vizinho Maciço do Itatiaia, então com uma altitude oficial de 2787 m. Naquele ano, o hoje geógrafo Lorenzo Giuliano Bagini, na época ainda estudante de graduação da Universidade de São Paulo (USP), que também era montanhista e conhecia a região, suspeitou que a Pedra da Mina fosse mais alta do que se pensava, e mediu sua altitude por GPS, obtendo 2796 m. Isso tornaria a Pedra da Mina alguns metros mais alta que o pico das Agulhas Negras. Bagini notificou a universidade, que no ano seguinte acabou enviando uma expedição oficial à montanha, levando um equipamento de GPS profissional de altíssima precisão, e encontrou uma altitude um metro ainda mais alta que a anteriormente medida por Bagini.

Projeto Pontos Culminantes (2004)

No entanto, de acordo com as leis federais brasileiras, nenhum dado geográfico pode ser oficialmente aceito no país se não for publicado pelo IBGE. Embora a expedição da USP tivesse total credibilidade e não se duvidasse da precisão da sua medida, o IBGE está legalmente impedido de aceitar ou reconhecer quaisquer dados geográficos que não os seus próprios. Além disto, o IBGE usa parâmetros de georreferenciamento diferentes dos da USP. Esta foi uma das motivações para o IBGE lançar o Projeto Pontos Culminantes do Brasil, em associação com o Instituto Militar de Engenharia (IME), com o objetivo de medir com precisão a altitude das montanhas mais altas do país, utilizando a mais moderna tecnologia de GPS.

Assim, como partes do projeto, tanto a Pedra da Mina quanto o pico das Agulhas Negras (além de diversas outras montanhas) foram escalados em 2004 e suas altitudes medidas. A expedição conjunta mais uma vez confirmou que a Pedra da Mina de fato era alguns metros mais alta que o até então ponto culminante oficial da Mantiqueira, com 2798,39 m, contra 2791,55 m do pico das Agulhas Negras – uma diferença de 6,84 m. O IBGE logo revisou seus dados publicados para que estes refletissem a nova altitude oficial da montanha e sua posição no ranking das montanhas brasileiras.

Correção da altitude em função do geoide (2016)

Em 2015, o IBGE completou um novo mapeamento mais preciso do território brasileiro quanto ao geoide, a superfície imaginária e irregular, baseada no campo gravitacional da Terra, que serve de referência para medições de altitude. Isto levou o Instituto a recalcular a altitude das montanhas medidas no projeto anterior em função da nova referência. Os novos dados foram publicados em fevereiro de 2016. A altitude da Pedra da Mina foi corrigida para 2798,06 m – uma diferença de 33 cm a menos. Ao mesmo tempo, o pico das Agulhas Negras passou a ter oficialmente 2790,94 m, ou 61 cm menos. Assim, a Pedra da Mina aumentou ligeiramente a vantagem sobre seu vizinho e rival, para 7,12 m.

Atualmente o Lorenzo, está trabalhando em um projeto para a criação de um livro que conta toda essa história detalhadamente.

“O livro propõe um resgate da história do lugar, com os registros das primeiras expedições e dos personagens nelas envolvidos, assim como os primeiros levantamentos cartográficos e pesquisas científicas. Existe ainda muito pouca documentação sobre a Serra Fina e não há nenhum livro específico sobre o maciço. Por isso este projeto tem um papel fundamental no registro da história e do patrimônio natural e paisagístico do maciço, visando tornar-se uma referência no debate sobre o futuro da Serra Fina.”

 Para conhecer mais sobre o projeto e o livro basta entrar no site www.portalserrafina.com.br

Acesso

Trilhas do Paiolinho, Toca do Lobo e Garganta do Registro

A montanha é quase sempre alcançada a partir do norte (ou seja, de Minas Gerais), de onde a rota mais curta é através de uma árdua trilha até o topo (com algumas partes mais íngremes de “escalaminhada”), acampando-se no cume ou próximo a ele e retornando-se no dia seguinte. Essa trilha é bem marcada e começa numa fazenda junto ao povoado de Paiolinho, no município de Passa Quatro, a 1566 m de altitude; o ponto inicial da trilha é acessível por veículos comuns de passeio através de uma estrada de terra.

Como alternativa, a Pedra da Mina também pode ser atingida como parte de uma caminhada mais longa (de alguns dias) ao longo da crista da serra Fina, alcançada por uma trilha mais a oeste que começa num local chamado “Toca do Lobo”, ao lado de uma fazenda também próxima de Passa Quatro. Essa caminhada termina no município mineiro de Itamonte, na rodovia BR-354, que percorre o passo de montanha denominado Garganta do Registro, que separa a serra Fina do maciço de Itatiaia. A travessia completa da serra Fina pode ser feita nos dois sentidos, e estas seriam então as duas outras rotas viáveis no momento (2016).

Trilha do Rio Claro

Uma quarta rota teoricamente possível, mas que foi inviabilizada, seria pela encosta sul (paulista), começando logo ao norte de Queluz. Essa rota é conhecida como a Trilha do Rio Claro, pois sobe o vale desse rio até a sua nascente, próxima ao topo da Pedra da Mina. Porém, essa rota é extremamente difícil e perigosa. Ela requer escalada em rocha em extensos trechos quase verticais (especialmente perto do topo), a travessia de matas fechadas e áreas acidentadas repletas de enormes pedregulhos, há perigo de deslizamentos em certos pontos e várias outras dificuldades. A área é de tão difícil acesso que, caso necessária, uma busca e salvamento só seria possível de helicóptero na maior parte do trajeto.

No entanto, o maior empecilho é que toda a encosta sul da montanha é propriedade particular – uma fazenda e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que se estende até a divisa interestadual na crista da serra- e os proprietários não mais autorizam a passagem. Portanto, atualmente, está rota é totalmente impraticável.

 

Fonte: wikipedia.org

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O Túnel da Mantiqueira

A Construção

WhatsApp Image 2017-06-15 at 10.43.49Com 997 metros de cumprimento, localizado na garganta do Embau, no alto da Serra da Mantiqueira, entre as cidades de Cruzeiro- SP e Passa Quatro- MG, esta o um dos mais famosos tuneis ferroviários do Brasil.

Construído em 1882 pelo engenheiro Herbert E. Hunt, para fazer a ligação entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por determinação do imperador Dom Pedro II para servir a Estrada de Ferro Minas and Rio, última estrada construída por Visconde de Mauá.  A viagem inaugural contou com a presença ilustre, do imperador D. Pedro II e sua comitiva.

 

Revolução de 1932

O Túnel foi um local estratégico para a Revolução Constitucionalista de 1932 por fazer divisa com São Paulo (Cruzeiro) e Minas Gerais (Passa Quatro).

 

Combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico bem como o túnel da estrada férrea o que permitiria o controle do acesso ao sul de Minas por ferrovia. Ali foi considerado um dos principais front do conflito, onde tiveram as lutas mais violentas e com maior número de baixa de todas as frentes de combate. Essa posição naquele conflito foi um dos poucos locais onde as tropas paulistas não foram derrotadas. O local foi dominado pelas tropas federais de Getúlio Vargas somente após o recuo estratégico dos paulistas para Guaratinguetá, no atual bairro de Engenheiro Neiva, para evitar o iminente envolvimento de suas posições pelos flancos, de modo a não serem encurralados pelo inimigo, dado o avanço das tropas federais através da frente de combate de Pinheiros, Vila Queimada e Batedouro.

 

Atualmente

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Estação Coronel Fulgêncio, Ponto de parada do Trem da Mantiqueira

Hoje o túnel é ponto final do passeio do Trem da  Mantiqueira, Maria Fumaça que sai de Passa Quatro.

Em 2017 o governo do estado de Minas Gerais, por meio do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, aprovou o tombamento do Túnel da Mantiqueira.

 

Já tive o privilegio de atravessar esse túnel algumas vezes, inclusive, no meio da noite, e, se com a luz do dia ele se mostra assustador, durante a noite ele se torna apavorante e sinistro. Rajadas de vento que vem e vão dão um ar aterrorizante ao ambiente, a escuridão é total, e calafrios na espinha não são raros…

Qualquer um que conhece a história de 32 segue o percurso com os pelos dos braços constantemente arrepiados e com uma sensação mágica de estar caminhando numa linha tênue entre o presente e o passado.

Atravessar o túnel, é uma experiencia extradicionaria, a impressão que se tem, é que está entrando em um portal para outra dimensão ou algum cenário de filme ou ate mesmo de desenho animado (quem é que não se lembra da famosa animação “A caverna do Dragão”).

Aqui a fé dos soldados que aqui combaterão, foi duramente testada. Este pedaço de chão e estas montanhas são testemunhas silenciosas dos atos de bravura de quem lutou por um ideal e dos dramas pessoais daqueles que encontraram a morte ou voltaram para casa terrivelmente feridos e mutilados. Heróicos soldados brasileiros.

Leonardo Fernandes

 

A Lenda do Itaguaré.

O Gigante adormecido 

12472461_1721512184787211_8155944098377884848_nEra uma vez, repousando entre os braços maternos da Serra da Mantiqueira, um vale maravilhoso habitado por uma tribo dos índios puri. O nome puri significa “gente mansa, pacífica”, e, em harmonia com tal nome, eles viviam ali em plena paz uns com os outros e com a natureza.
No centro da aldeia ficava uma grande pedra, considerada sagrada pelos puris. Chamavam-na “iñan”. E não poderia ser mais simbólico, pois “iñan” significa “mãe”. Sobre a pedra-mãe costumavam abater suas caças e preparar seus alimentos, e ao redor dela se reuniam para comer e festejar. Também nas reuniões da assembléia indígena, o velho cacique sentava sobre a pedra sagrada e de lá, com sua notória sabedoria adquirida no decurso de muitas épocas, aconselhava acerca das questões trazidas pelo povo.
Foi numa dessas reuniões que o cacique, o qual há muitas luas andava calado e pensativo, revelou à tribo o motivo de sua grande preocupação:
Tendo conversado com respeitados irmãos de outras tribos, tomara conhecimento de uma grande ameaça que pairava sobre o vale. Tratava-se de uma cruel e desconhecida tribo, que vinha causando terror por onde passava. Era uma gente de pele branca e hábitos bárbaros, que abria caminho derrubando árvores e queimando as matas. Poluíam com seus lixos os rios, e, aos animais, matavam não só para comer, mas às vezes por puro prazer. Muitas tribos numerosas dotadas de poderosos guerreiros já haviam sido dizimadas pelos invasores. Em seu avanço indomável em busca de ouro e riquezas, inevitavelmente chegariam ao lar da pequena e indefesa tribo puri.
Os índios não dormiram naquela noite. Acostumados a encarar de frente todos os perigos das matas, intimidavam-se agora prestes a enfrentar um bicho novo e atemorizante. Um bicho feroz e voraz chamado… bandeirante.
Poucas luas depois, a profecia se concretizou. Eles vieram com suas armas poderosas, carregando um grande baú recheado de ouro e diamantes, o qual, na sua insaciável ganância, só queriam aumentar mais e mais.
Aos indefesos nativos, a bandeira escravizou, e para as minas levou, obrigando-os a trabalhar na extração de ouro para abastecer seu tesouro.
O líder dos bandeirantes era mais cruel do que todos os outros. Os índios o chamaram Ponã, que na língua puri significa onça, o bicho mais traiçoeiro da mata. Enquanto os demais forasteiros estavam apenas cegados pela cobiça do ouro, este um parecia mesmo gostar de fazer maldades. Ria-se ao assistir os nativos serem punidos por qualquer rebeldia, gargalhava ao ver os índios velhos se encurvarem sobre o peso das picaretas, divertia-se com o desespero das índias chorando o castigo de seus curumins fraquinhos e a perda de seus maridos, tombados pelo cansaço.
E, sem nada poder fazer para se livrar, os índios resignavam-se em orar ao seu deus sol e à deusa lua. Clamavam ao raio e ao trovão.
Um dia, Ponã, o bandeirante mal, tentou castigar um curumim faminto que lhe roubara um pedaço de carne, mas o indiozinho correu tanto e foi parar nos recônditos da mata, onde ninguém nunca havia ido.
Lá, o espantado curumim deparou com um índio gigante, que dormia despreocupado deitado à sombra da serra.
O curumim pisou num galho seco e o gigante acordou.
– Que fazes nos meus domínios, ó pequenino?
O gigante não parecia mal. O curumim contou-lhe a desgraça de seu povo, mas aquele se mostrou indiferente ao seu sofrimento.
“Sou o último remanescente de minha tribo”, respondeu o gigante, “Há muito vivo aqui, na montanha, escondido e só. As questões alheias não me interessam. Agora vá embora, pois não quero perder minha paz.”
Mas o curumim derramou uma lágrima tão pura que o coração do gigante se enterneceu. Colocando o indiozinho sobre o ombro direito, saiu marchando rumo ao acampamento dos bandeirantes determinado a acabar com a razão do seu choro.
Os invasores tremeram as pernas quando o viram, foi uma correria só. Mas, parecendo temer mais os gritos furiosos de seu líder do que o próprio gigante, pegaram suas espingardas, como Ponã lhes ordenava, e puseram-se a disparar contra o oponente, em direção à sua cabeça enorme.
Ignorando os tiros, o grandalhão arrancou uma árvore e com ela golpeou Ponã, que foi arremessado longe e, quando caiu, não levantou mais.
Bastou derrubar o líder e lá se foi a coragem dos expedicionários. Na pressa de fugir, deixaram para trás até o baú do tesouro, pois suas vidas valiam mais do que o ouro.
Libertos do cativeiro, os puris convidaram seu salvador a ir com eles até a aldeia. Lá, em homenagem ao novo amigo, ofereceram um grande banquete que durou muitos dias e noites . E ao redor da iñan, a pedra-mãe, dançavam a dança dos puris, cantando a derrota do homem branco e louvando a coragem do seu gigante herói. Chamaram-no Lakaré Xatã, que significa braço amigo.
Entre as comemorações, o velho cacique decidiu esconder o tesouro, pois outros poderiam vir à sua procura. O gigante se ofereceu para a tarefa. Já caía a noite quando Lakaré Xatã penetrou na mata escura levando o pesado baú. Os índios esperaram até alta madrugada, mas de lá ele não voltou mais.
Na manhã seguinte, a serra estava mais linda do que nunca, mas nela havia algo diferente: em certo ponto, a Mantiqueira agora exibia os contornos perfeitos da silhueta de um homem, um homem imensamente grande, um gigante, deitado tão tranquilamente como o mais dócil puri.
Uns índios diziam que o gigante fora ferido pelos tiros, sim (só não se viu o sangue devido à enorme distância entre sua cabeça e o chão), e que fora embora para que seus amigos puris não o vissem morrer. Mas tombou lá na serra, onde seu corpo, em vez de se decompor, virou rocha instantaneamente, desenhando na montanha um novo e perene contorno. Ainda outros afirmavam que o Lakaré Xatã partira ileso, ansioso de voltar à sua existência solitária. Mas, diante da ameaça do ataque de outros bandeirantes, sua preocupação com os novos e diminutos amigos o fez ficar. Deitou-se sobre a serra, e lá passou a dormir o sono imenso dos gigantes, pronto a despertar quando novamente os índios e a mata corressem perigo.
E, desde aquele episódio, lá, onde hoje fica o bar da pedra, a aldeia passou a se reunir todas as noites ao redor da pedra-mãe, onde os índios mais velhos não se cansavam de contar aos indiozinhos a história de seu gigante amigo, para não deixar morrer a memória daquele ser especial. A cada noite em que a história era contada, os curumins iam dormir sonhando com aquela tamanha aventura, e, ao acordar de manhã ao canto dos pássaros, olhavam enternecidos para a serra, onde, entre as fendas e picos, para sua surpresa e deleite, por um breve instante, o Gigante Adormecido parecia sorrir.
O tesouro continua lá até hoje, no Vale do Gigante, escondido em algum lugar.

Por Marcos A. Melo.

Mistérios no Pico dos Marins

“O dia era, 08 de junho de 1985. Uma data para não esquecer. Início de uma história de 32 anos que mudou a minha vida e a da minha família.”

O misterioso desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio 4Marco Aurélio, 15 anos, fazia parte de um grupo de quatro jovens  do Grupo Escoteiro Olivetano, liderados pelo chefe Juan Bernabeu Céspedes, que buscava alcançar o Pico dos Marins, de 2.420m, próximo a cidade de Piquete, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

A 1.700 metros de altitude, um garoto torceu o pé.  Marco Aurélio, Com o objetivo de ajudar, o escoteiro Marco Aurélio Simon se ofereceu para ir à frente do grupo, abrindo caminho para passagem do amigo acidentado, e também para ver se encontraria alguma ajuda o mais rápido possível, enquanto os demais tentariam segui-lo lentamente. O jovem escoteiro, foi se distanciando e desapareceu sem deixar qualquer tipo de pista ou rastro, e a partir de então nunca mais foi visto.

Iniciava-se nesse momento um dos maiores mistérios indecifráveis conhecidos no Brasil, o “Desaparecimento do Escoteiro Marco Aurélio Simon.” Mais de 300 homens realizaram as buscas por cerca de 28 dias, incluída entre as maiores já realizadas no Brasil, com policiais civis, militares, mateiros, espeleólogos, alpinistas, dois helicópteros, três equipes do COE – Comando de Operações Especiais, teólogos.

“O dia era, 08 de junho de 1985. Uma data para não esquecer. Início de uma história de 32 anos que mudou a minha vida e a da minha família.” lembra Ivo Simon, o pai de Marco Aurélio.

O misterioso desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio 1

Desde a época do sumiço, suspeitas recaem também sobre o guia da excursão, o escoteiro Juan Bernabeu Céspedes. Foi ele o último a ter contato com o jovem. Como consta no inquérito, Naquela tarde, o líder chegou a acompanhar o  garoto até certo ponto da descida, deixando os demais aventureiros para trás.

A polícia chegou a investigar se havia uma possível motivação sexual no desaparecimento do jovem. Depoimentos de delegados, apensados ao inquérito, apontavam que o guia poderia ter abusado do garoto – e, depois, o matado. Mas essa hipótese foi descartada pois as buscas não encontraram nenhum sinal do corpo ou vestígios do garoto.

Durante 28 dias mais de 300 pessoas participaram das buscas, entre voluntários, policiais civis, militares e bombeiros, que vasculharam o pico a pé e com helicópteros. Nenhum corpo, nenhum pedaço de roupa ou rastro na terra foram achados. Foi como se Marco Aurélio tivesse “evaporado”. A polícia vasculhou o local de forma muito minuciosa, fazendo até mesmo várias varreduras no mesmo local, em busca de pistas que possam ter sido ignoradas nas primeiras buscas, mas nada que indicasse o que aconteceu com Marco Aurélio foi encontrado.

Trata-se de um dos maiores mistérios do mundo, segundo especialistas, superando os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas, porque não se encontrou até hoje um indício ou prova material do que ocorreu.

Hipóteses para o desaparecimento

Suspeitas é o que não falta nesse caso. Para alguns, alienígenas levaram o jovem. Para outros, uma seita chamada Borboleta Azul sequestrou o menino. Especulou-se até que um animal, como uma onça, poderia ter devorado o escoteiro. Mas no caso de assassinato e morte por ataque de animal, como explicar que nenhum rastro suspeito jamais foi encontrado?

O desespero da família era tamanho, que qualquer notícia que pudesse trazer alguma pista para descobrir o paradeiro do garoto era averiguada pela família. Um delegado de polícia, amigo de pessoas próximas a família Simon, chegou a sugerir ao pai de Marco Aurélio que ele entrasse em contato com um general da Aeronáutica. Esse seria conhecedor de fenômenos ligados a extraterrestres.

A hipótese de abdução alienígena passou a ser cogitada, tanto que Ivo Simon , pai de Marco Aurélio, chegou a contatar uma pessoa que dizia ser capaz de falar com alienígenas via telepatia (algumas fontes afirmam que essa pessoa era o próprio general citado acima), para que esse perguntasse aos seres de outros planetas a respeito de informações sobre o garoto, mas nenhuma resposta foi dada.

“Fomos a umbandistas, parapsicólogos, espíritas. A maioria diz que ele está vivo”, conta Ivo.

A família chegou a procuraram o famoso médium Chico Xavier, na época, tiveram a seguinte resposta: “Só me comunico com pessoas que desencarnaram, e não com os vivos”. Por conta disso tudo, a família Simon acredita que o rapaz ainda está vivo.

As Luzes e o som de apito

Na segunda noite de buscas, os garotos que estavam com Marco Aurélio, em conjunto com o líder do grupo (Juan Bernabeu) e mais algumas outras pessoas estavam se preparando para dormir, ouviram primeiro um grito na mata próxima, sendo que após o grito surgiu o som de um apito. Todos se espantaram, pois Marco Aurélio como escoteiro usava um apito, que é um instrumento de auxílio para ajudar a localização de uma pessoa perdida ou em dificuldades na mata.

No momento do som do apito, todos saíram do casa onde estavam alojados, que era do Sr. Afonso que era um guia local, e se dirigem em direção à mata, onde havia surgido o som, e de repente se deparam com flash’s de luzes azuis, as quais se acenderam e se apagaram por três vezes.

Após esse incidente, o líder do grupo, Juan Bernabeu, também pegou seu apito e foi em direção à mata e começa à soprá-lo, solicitando um retorno, mas nada acontece, somente silêncio.

Em consulta, os estudiosos de assuntos ufológicos disseram que nesse momento foi o instante em que Marco Aurélio pode ter sido abduzido por extraterrestres, devido aos detalhes do fenômeno. O fato citado acima foi verídico, e consta no processo policial sobre o desaparecimento de Marco Aurélio.

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Marco Antonio, gêmeo de Marco Aurélio

A família nunca perdeu as esperanças de encontrar Marco Aurélio, e acompanha como seria a fisionomia do filho pelas transformações no rosto de Marco Antonio, irmão gêmeo univitelino de Marco Aurélio.

A Casa de Pedra

O ‘bunker’ de Getúlio Vargas na Serra da Mantiqueira

Construída em 1932, por ordem do então Presidente da Republica Getúlio Vargas, a Casa de Pedra,  foi criada para ser uma aconchegante fortaleza de rochas, no meio da montanha, seria o seu refúgio em caso de ataque ao Palácio do Governo durante a Revolução Constitucionalista. Para ter acesso a este lugar, Getúlio usava o Brejo da Lapa para pouso de seu hidroavião.

Fascinado bela beleza e diversidade da fauna e da flora daquela região, Getúlio, em 1937, criou a primeira área de proteção ambiental do Brasil, o Parque Nacional do Itatiaia, com 30 mil hectares.

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Hoje a casa serve como estrutura para a administração do parque. E é uma atração turística da Rodovia das Flores, BR-485, a estrada federal brasileira em maior altitude, que leva até a parte alta do parque.

parque-nacional-do-itatiaiaContam os moradores da região que, nos anos 1950, Itatiaia abrigou vários fugitivos nazistas, principalmente no Hotel Alsene, que depois foram se refugiar no Paraguai e na Argentina. Também havia um hotel no estilo germânico, à beira da Via Dutra, entre Itatiaia e Resende, que foi fechado na década de 1970 por promover reunião de neonazistas. Isso parece sugerir que a semelhança apontada por pesquisadores, entre a Casa de Pedra de Getúlio Vargas e o “Ninho da Águia” de Hitler em Berchtesgadenna, nos Alpes, é mais que mera coincidência.

SHIT TUBE

O que é o SHIT TUBE:

IMG_7231aO SHIT TUBE é o equipamento usado pelos esportistas (escaladores, montanhistas, espeleologistas e outros), para armazenar e trazer de volta os excrementos produzidos em suas passagens por ambientes naturais.

Porque usar o SHIT TUBE:

As montanhas geralmente, possuem um ecossistema relativamente frágil. E dependendo da quantidade de pessoas na trilha ou num acampamento, o ecossistema não consegue absorver todos os dejetos, além de ser extremamente desagradáveis e prejudiciais encontrar fezes e papel higiênico espalhado pela montanha.

Em muitos parques, fora do Brasil, o uso do SHIT TUBE é obrigatório, aqui essa ainda é uma pratica pouco comum.

A situação na Mantiqueira, chegou a um nível alarmante, pois as montanhas vêm sofrendo, dia após dia, com a superlotação e o excesso de pessoa (em alguns finais de semana durante a temporada, grupos gigantescos vão em direção a seus cumes), isso sem falar nos feriados nacionais, onde a coisa fica impraticável.
O solo da montanha, na maior parte das vezes é rochoso e não dá para cavar. E quando dá, geralmente é feito em buracos muito rasos e inadequados.
Apesar de, a Mantiqueira ser imensa, as pessoas vão SEMPRE aos mesmos locais (geralmente cumes e acampamentos já usuais) ou seja elas sempre “usam como banheiro” os mesmos locais (arredores de cumes e de acampamentos), a montanha já não consegue mais absorver esse tudo isso.

É muito importante lembrar que nos cumes é ainda mais difícil cavar, devido a quantidade de pedras.

Hoje é bem fácil encontramos:

Campos minados na montanha (eu mesmo já pisei em coco de gente),
Papel higiênico voando pelos campos de altitude,
Cheiro desagradável (como está no Pico dos 3 Estados),
A agua das chuvas leva as fezes para as nascentes de rios. E acaba contaminando a agua que a gente deveria beber (assim como ocorre na Base dos Marins).
Sem falar que a sujeira atrai animais.
Outro fator que temos que levar em consideração é o tempo que demora para as fezes se decomporem. Geralmente demora meses. Porém, o clima de montanha por ser diferente do resto do Brasil dificulta essa ação. E faz com que esse tempo seja maior ainda.
Enterrar é hoje, uma solução que já não resolve mais. Como já disse anteriormente,  a ideia do SHIT TUBE, já é muito utilizada fora do Brasil, aqui ainda estamos começando, mas é tudo questão de habito, se mudarmos só um pouquinho, conseguimos fazer muito.
A campanha de conscientização:

A campanha conta com o apoio de operadores turísticos (hosteis, hotéis, pousadas, transfer e guias) na região da Mantiqueira (principalmente nas cidades de Passa Quatro, Itanhandu e Piquete e Cruzeiro), cada hostel, cada guia e cada pessoa que faz transporte de montanhistas nessas cidades, vai ter um cartaz explicando a importância do uso e como utiliza o SHIT TUBE.

Junto os estabelecimentos terão alguns SHIT TUBES à venda, para oferecer aos turistas que se interessarem pela causa. A ideia é vender o SHIT TUBE a preço de custo mesmo, pois o objetivo não é lucrar com isso, e sim ajudar na preservação.

Como surgiu a ideia:

A ideia surgiu a partir das visitas constantes que realizo na montanha como guia, assim pude perceber que cada vez mais, após cada feriado, cada fim de semana, a montanha fica mais suja, cheia de papel higiênico e m&rd@ espalhada por toda parte.

Tenho uma agencia de turismo e sou guia na região da Mantiqueira, venho observando que a grande maioria (mas ainda não são todos) dos guias, assim como as agências de turismo de montanha mais serias fazem uso do SHIT TUBE.

Percebo, porém, que muita gente vai de forma “independente” para a montanha, ou seja, não contratam agencia, nem guia – algumas dessas pessoas já utilizam o SHIT TUBE, mas a maior parte ainda não o fazem, não sei se, por falta de informação, se por ignorância, se por vergonha, mas não o fazem.

A campanha é, justamente para alertar e orientar essas pessoas que vão de forma independente. Pois se vão com guia ou agencia, os mesmo têm a obrigação de orientar seus clientes.

Cada operador turístico envolvido, atende esses “montanhistas independentes”, seja com transporte ou com hospedagem, se esses operadores conseguissem orientar, informar e conscientizar sobre a importância do SHIT TUBE a seus clientes, conseguiríamos abranger um número muito grande de pessoas que vão a montanha.

E assim estamos fazendo, estamos conversando com cada operador turístico da montanha, e pedindo ajuda nessa causa, várias pessoas já estão dando apoio, porém, ainda falta conversar com muita gente, a AMPM- ASSOCIAÇÃO DE MONTANHISMO E PRESERVAÇÃO DA SERRA DA MANTIQUEIRA, da qual faço parte, comprou a ideia de imediato e está trabalhando em um projeto paralelamente.

Costumo dizer as pessoas que converso, que esse é um trabalho de formiguinha, todo dia temos que fazer um pouquinho, mas sabemos que tem muitas formiguinhas por ai trabalhando pela montanha. Cada uma fazendo um pouquinho e logo logo esse pouquinho vai virar um montão…

Como fazer o SHIT TUBE:

Material:

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  • 25 a 30 cm de tubo de PVC com 100mm;
  • 2 Tampas (Caps) próprias para PVC de 100mm
  • 1 anel de borracha para vedação de 100mm
  • Cola de PVC
  • Cal virgem para desinfecção e desodorização;
  • 60 cm de cordelete ou cordin

Como fazer:

Para montar basta passar cola em uma das pontas do cano e colar a tampa (caps), esta será a parte do fundo,

A outra tampa é só colocar o anel de vedação e encaixar do outro lado.

Com o cordelete ou cordin, amarre as extremidades (assim dá para carregar o shit tube do lado de fora da mochila)

Como utilizar o shit tube

  1. Jogue um pouquinho de cal virgem sobre uma folha de jornal.
  2. Faça suas fezes sobre o jornal;
  3. Jogue uma colher de cal virgem para evitar qualquer tipo de odor. Jogada sobre as fezes, as fazem endurecer. (Não esqueça de jogar o papel higiênico junto).
  4. Feche o jornal com cuidado e coloque-o dentro de um saco (esses de supermercado mesmo de preferência aqueles biodegradáveis), tire o ar de dentro do saco, feche bem e jogue dentro do Shit Tube.
  5. Ao chegar em local adequado, basta descarregar no vaso sanitário ou enterrar.

Leonardo Fernandes

Abrigo Rebouças…

A historia do Abrigo de Montanha mais alto do Brasil, localizado no Parque Nacional do Itatiaia.

Abrigo Rebouças_PNI

Com sua construção já concluída na primeira metade dos anos 50 do século passado, na gestão de Wanderbilt Duarte de Barros, o Abrigo Rebouças passou a ser o abrigo público mais alto do Brasil (altitude de 2350 metros), sendo um típico abrigo de montanha. Batizado como Rebouças desde a sua inauguração, homenageia o engenheiro civil, botânico e geólogo André Pinto Rebouças (1838-1898), pioneiro em vários temas, destacando-se como um combativo abolicionista e, à sua época, um dos maiores incentivadores para a criação de parques nacionais.

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Próximo do abrigo, o represamento do Rio Campo Belo é parte de uma pequena hidrelétrica que por algum tempo forneceu energia ao mesmo, mas sem conseguir atingir a carga suficiente, vindo a ser desativada. Entre os anos de 1997 e 1998, mediante um cabeamento subterrâneo, o abrigo voltou a ter energia elétrica. Também naqueles anos foi instalado um sistema à gás para aquecimento de água, atualmente desativado.
Durante muitos anos, antes da construção do atual Posto Marcão, o abrigo serviu como posto de serviço dos funcionários do Parque, que ali permaneciam, normalmente, em escala de 15 dias, dividindo as instalações com os montanhistas, excursionistas, turistas e demais visitantes.
A mais recente obra de recuperação do abrigo ocorreu no final do ano de 2006, ocasião em que o Parque contou com o apoio da Academia Militar das Agulhas (AMAN), do Grupo Excursionista Agulhas Negras (GEAN) e da Associação de Guias de Montanha das Agulhas Negras (AGUIMAN) para realizá-la. Nesta reforma houve a retirada do fogão a lenha e da chaminé.
Atualmente, parte das instalações do abrigo ficam permanentemente reservada ao uso pelo Parque.